quarta-feira, 15 de junho de 2011

Depois de ter concluído a leitura da obra, pareceu-me oportuno voltar a frisar alguns dos pontos de interesse que ela apresenta e que ainda hoje provocam as mais variadas sensações em quem a lê.  Sendo a história verídica, os principais pontos de interesse relacionam-se com os acontecimentos em si (uma vez que fizeram parte da nossa realidade) e com o testemunho de um médico que os viveu na primeira pessoa.

Para mim, o aspecto mais entusiasmante foi o facto de Drauzio Varella, habituado à mais sofisticada tecnologia médica, ter prestado voluntariado no maior presídio da América Latina, com problemas gravíssimos, entre os quais se realça a superlotação, as instalações precárias, as doenças nomeadamente a tuberculose e a sida, a falta de assistência médica e jurídica, entre outros, fazendo com que a sua entrada para esse campo de detenção tenha sido encarada como um desafio. Assim, ao longo de toda a obra, o médico testemunha solidariedade, organização e, acima de tudo, grande disposição de viver e de assegurar a vida a muitos dos presos.

quarta-feira, 8 de junho de 2011


«Não é objectivo deste livro denunciar um sistema penal antiquado, apontar soluções para a criminalidade brasileira ou defender direitos humanos de quem quer que seja. Como nos velhos filmes, procuro abrir uma trilha entre as personagens da cadeia.»
Drauzio Varella, em “Estação Carandiru”

terça-feira, 7 de junho de 2011

Razão da escolha da obra
Essencialmente pela história ser verídica.

Compreensão/interpretação
O livro retrata a vida na estação presidiária do Carandiru, a maior do Brasil. Demonstra a vivência dos reclusos e mostra verdadeiramente qual o ambiente\rotina das prisões, que é, certamente, diferente daquilo que as pessoas, de um modo geral pensam. O livro narra a convivência do médico Drauzio Varella com a "malandragem", que dentro da prisão cria um mundo onde os mais perigosos é que ditam as regras. Lá, os mais afortunados, que possuíam família e dinheiro, conseguiam arranjar uma cela decente, mas os solitários e sem dinheiro, permaneciam em celas pequenas, cheias e imundas, onde se desenvolviam várias doenças. Quem não obedecia aos mais afortunados sofria um castigo e o pior era sem dúvida a morte, passando despercebida pelos guardas que muitas vezes até apoiavam os marginais. Na verdade, era um mundo cruel e desumano.

Reflexões/ Reacção afectiva
A obra, sendo verídica, relaciona-se com vários factos da actualidade. Leva-nos a reflectir e a alterar a nossa visão acerca do mundo porque, de um certo modo, apesar da maioria dos presidiários do Carandiru terem cometido crimes terríveis, de certo modo, nessa prisão estavam a ser sustentados com o dinheiro da população, e não lhes estava a ser adoptado um projecto de profissionalização. Isto leva-nos a reflectir se ainda hoje se verificam casos em que a justiça não tem controlo, podendo atingir estes limites.
Apreciação estética
Ao longo de toda a obra, a linguagem apresentada é simples e de fácil compreensão. É feita uma pormenorizada descrição de todos os ambientes, celas, reclusos, o que faz com que se criam mais facilmente diversos estados emotivos no leitor. É uma obra muito interessante e recomendável.


domingo, 22 de maio de 2011

Apreciação pessoal da obra
      
Inicialmente não sabia que obra haveria de escolher para este período para o contrato de leitura. Acabei por optar por “Estação Carandiru” por ter um elevado reconhecimento, tendo até sido adaptado para cinema. Até agora, a obra tem-me despertado muito interesse. Tem-se revelado uma história muito envolvente visto que se trata de uma estação prisional que não corresponde á idealização que cada um de nós, por norma, faz acerca do dia-a-dia dos presidiários.
Atribuo-lhe 4 estrelas porque, pelo facto da obra se apresentar dividida em capítulos não há uma sequência de um acontecimento em geral, porém, deste modo, em cada um deles também é especificada a zona\acontecimento de uma forma absolutamente extraordinária e sabendo que é uma história verídica torna-se ainda mais entusiamante lê-la até ao fim.

domingo, 15 de maio de 2011

               Até ao capitulo que li, a minha expectativa acerca dos restantes, é que neles o autor continue a demonstrar a vivência dos reclusos e mostre verdadeiramente qual o ambiente\rotina das prisões, que certamente será, para o bem ou para o mal, diferente daquilo que as pessoas, de um modo geral pensam. Além disso espero que o autor descreva mais o seu trabalho voluntário no estabelecimento prisional, ou seja, espero que mostre em que medida a sua presença, o seu trabalho e a sua actividade influenciaram o dia-a-dia dos reclusos.


O livro Estação Carandiru está dividido em capítulos que retratam a vivência do autor, Drauzio Varella, no respectivo estabelecimento prisional. No primeiro capítulo (Estação Carandiru), Drauzio Varella (médico cancerologista, que prestou cuidados de saúde na agravante situação que se encontrara o maior presídio do Brasil: Carandiru), descreve como foi a sua entrada na Casa de Detenção, a rotina dos prisioneiros e a elevada concentração de reclusos que se encontravam no presídio, "são mais de 7 mil homens, o dobro ou o triplo do número previsto nos anos 50, quando foram construídos os primeiros pavilhões. Nas piores fases, o presídio chegou a conter 9 mil pessoas".

No segundo capitulo (O casarão), o autor descreve o presídio, afirmando que é velho e mal conservado. Refere que este é dividido em pavilhões, que se encontram separados uns dos outros. No capítulo seguinte (Os pavilhões), o autor acrescenta que os reclusos se encontram separados nos diferentes pavilhões, não só pelo tipo de crime que cometeram mas também pelas diferenças sociais. Explica também que a arquitectura externa dos pavilhões era semelhante, mas as divisões internas e a geografia humana eram diferentes por esse motivo.

No capítulo quatro (O Barraco), Drauzio procura explicar, detalhadamente, os barracos, também chamados de celas, referindo as situações precárias em que estas se encontravam, as suas dimensões, que variavam sem lógica aparente: algumas, até espaçosas, eram individuais, mas noutras encontram-se um número excessivo de reclusos, chegando alguns a dormir invertidos, com os pés no rosto do companheiro. Isto porque cada barraco tinha um dono (que era um recluso) e um valor de mercado, tendo assim, cada novo recluso que pagar ao dono da cela, o espaço para ficar - negócio que a polícia não conseguia controlar.

No capítulo cinco (Sol e Lua) é explicada a rotina dos presidiários, o seu dia-a-dia, ou seja, em que partes do dia eles realizavam as actividades desportivas, os campeonatos, as refeições, quando usufruíam do seu tempo de lazer, entre outros. Por fim, o sexto capítulo (Fim de Semana) revela que nos fins-de-semana, a limpeza é a principal actividade dos reclusos, tendo estes que limpar as suas celas, para que as suas visitas pudessem usufruir de um ambiente mais adequado, higiénico e civilizado.

(Neste momento encontro-me a ler o início do sétimo capitulo, na página 60)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

         Para além do seu reconhecimento como médico, Drauzio Varella é também um premiado escritor, tanto de ficção para adultos como para crianças. Lançado em 1999, o livro Estação Carandiru, conta o seu trabalho com os presidiários do Carandiru. Em 2003, a obra ganhou as telas do cinema na adaptação do livro em filme, do director Hector Balenco.


Na foto, Luiz Carlos Vasconcelos que dá vida à personagem Drauzio Varella no filme.



O livro que escolhi para ler este período para o Contrato de Leitura intitula-se por “Estação Carandiru” do autor Drauzio Varella

domingo, 17 de abril de 2011

"Em 1989, o médico Drauzio Varella iniciou na Casa de Detenção de São Paulo um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Esse trabalho, que prossegue até hoje e teve o apoio da Unip (Universidade Paulista), incluiu pesquisas epidemiológicas sobre a prevalência do HIV, palestras educativas para a população carcerária, gravação de vídeos, edição de um jornalzinho de circulação restrita à penitenciária e atendimento de doentes. Um pouco desses dez anos de convivência semanal está registrado em Estação Carandiru, um livro que só pôde ser escrito graças à condição de médico do autor. Mas Drauzio não adota um ponto de vista “médico”, um enfoque de especialista; também não interpreta sua experiência, nem emite juízos de valor sobre ela. Como norma, ele conduz o relato em função da proximidade direta que estabeleceu com as pessoas a quem se refere, presos ou funcionários. A Casa de Detenção de São Paulo, o maior presídio do país, abriga mais de 7 mil presos —“a malandragem”, como eles mesmos se denominam. Drauzio Varella fala desse conjunto por intermédio de Santão, Alfinete, Charuto, seu Jeremias, Loreta, Ezequiel e muitos outros. Nos fragmentos das histórias individuais surgem os problemas crônicos do presídio (as drogas e a AIDS, por exemplo) e as formas de acomodação à precariedade e às privações (recozinhar a comida intragável servida pela instituição, organizar as visitas íntimas). Descrevendo coisas e pessoas concretas, Drauzio dá à cidadela do Carandiru uma transparência difícil de ser obtida."